O meu nascimento

Ao que parece sou das raras pessoas que tem muitas recordações dos tempos em que era bebé, e específicamente do momento do nascimento. São flashs, sensações que me lembro sem conseguir associar qualquer duração ou periodo de tempo…

E hoje, partilho essas memórias convosco:

“Está escuro. Sinto-me aconchegada, quente e confortavel. Ouço bater, um bater suave, doce, que me embala e me protege. Gosto de o ouvir. Sinto-me bem, sinto-me feliz. Estou bem aqui.

Sinto as paredes empurrarem-me, sinto que tenho de pressionar as minhas pernas e fazer força.

Chego a um canal estreito, apertado, sinto a minha cabeça apertada e continuo a fazer força. Sinto frio na minha cabeça, há uma luz, um clarão que me faz doer os olhos.

Doem-me os ombros, estão apertados, torcidos.

Sinto frio no corpo todo, há uma luz forte e dois vultos escuros.

Quero gritar e não consigo. Sinto ar a entrar pelo meu nariz, pela minha boca, criar um berro. Doi-me os canais a rasgar, doi-me os pulmões a encher, grito.

Está frio, muito frio.

Sinto o calor, ouço o som do bater, mais longe, mas sempre suave. Ele ainda lá está, suave, a embalar-me, a proteger-me.”

By Isabel

3 thoughts on “O meu nascimento

  1. Joana says:

    E por isso que a 1 noite dos meus filhos eu não durmo, cansada, mas passo a maior parte da noite com eles no meu colinho, sei bem o cuidado redobrado que devo ter, mas é mais forte que eu, foram como que arrancados do meu quentinho e agora desamparados, deixo para dormir no dia seguinte quando o papá chega enquanto ele cria va os laços eu descansava.

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