O mito do leite fraco

O texto original foi escrito para o meu blog pessoal e teve feedbacks tão positivos por parte das mães que decidi fazer pequenas adaptações e repostar aqui 😉

Era uma noite no trabalho, relativamente calma. Quatro mães e quatro bebés ao meu encargo. Nessa noite duas das mães eram portuguesas. Faço a minha “ronda” ao inicio do turno, para ver como estão mães e bebés e para programar o trabalho, e uma das primeiras questões que surgem de uma das mães portuguesas é “e se o meu leite for fraco?”
É a questão que surge com 90% das mães portuguesas que passam pelo serviço. É sem duvida uma questão cultural, de tal forma que quando aqui cheguei todas as colegas me perguntavam de onde vem esta ideia das mães portuguesas.

Não há “leite fraco”. E são muitissimo raras as mães que fisiologicamente têm problemas na produção de leite, isso acontece em situações específicas e pontuais, e não com a maioria das mulheres, como nos querem fazer acreditar. O que há são bebés que precisam aprender a mamar, mães perdidas porque nunca ninguém lhes disse que a amamentação afinal não é assim tão instintiva e ao inicio até pode ser bastante complicada, e profissionais de saúde muitas vezes demasiado ocupados, muitas vezes sobrecarregados que não têm tempo para acompanhar correctamente estas mães.

Uma má pega pode influenciar muito o (in)sucesso da amamentação. Um arranque dificil pode comprometer sériamente a auto-confiança da mãe e por em causa a continuidade do processo. Principalmente se não houver profissionais disponiveis para um acompanhamento adequado.

Este mito do “leite fraco” é alimentado por sogras, familiares “metediças” e amigas (da onça) que têm sempre uma palavra a dizer. Contra a mãe, claro. Porque mãe que é mãe (sobretudo se for de primeira viagem) tem que ser posta em causa.

E da experiência que tenho, verifico que muitas mães acabam por cair na tentação de acreditar naquilo que tantos lhes dizem, acabando por ceder, principalmente quando o bebé tem os chamados “picos de crescimento” – fases em que o bebé tem que demonstrar ao corpo da mãe que é preciso reajustar a produção de leite às suas necessidades, e durante dois ou três dias o bebé pede mama quase de hora em hora, ou até quase ininterruptamente. Aqui, a mãe que ja tinha sido bombardeada com os simpaticos comentarios acerca do seu leite muitas vezes acredita que afinal é mesmo verdade e introduz um suplemento. (principais picos de crescimento: 3 semanas, 6 semanas, 3 meses, 6 meses)

Mas aquilo que nos diz realmente se um bebé esta a ser bem alimentado é em primeiro lugar o seu estado geral, e em seguida o seu peso.

Por isso se tiver duvidas procure uma conselheira em aleitamento materno (CAM) perto da sua área de residência, ou procure um “cantinho de amamentação” que já existe em vários centros de saúde. Estes profissionais terão todo o gosto em ajudar!

Amamenta France, existimos para apoiar!

By Cátia Godinho

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