Uma mãe suficientemente boa

Este foi um dos primeiros textos que escrevi quando lancei o meu blog pessoal, e hoje trago-o aqui porque gostava de o partilhar convosco, por sentir que este é um tema sempre actual: nos, as mães e a nossa “mania” de auto-critica e auto-julgamento, de achar que nunca somos boas o suficiente, de saber que damos sempre o nosso melhor e mesmo assim o nosso melhor não nos chega.

Costumo dizer que cada uma de nos é a melhor mãe que consegue ser naquele momento com os recursos disponíveis. Ser mãe é a maior aprendizagem da escola da vida. Eu hoje sou uma mãe muito mais madura, calma e paciente do que era quando o Duarte nasceu. Mas tenho noção de que naquela altura fiz o melhor que sabia.

Para ler e reflectir…

“Era uma vez uma mãe, e outra mãe, e outras tantas. Todas elas tentavam dar o melhor de sí aos seus filhos. E nenhuma delas conseguia ser uma boa mãe.

O leite da mãe que amamentava era fraco e sempre que o seu bebe chorava era com fome porque o leite da mãe não era bom. A mãe que não amamentava (por razões pessoais ou simplesmente porque não teve o apoio que necessitava para fazer a amamentação funcionar) via o seu bebe chorar por culpa do leite de lata, pois toda a gente sabe que o leite de lata dá mais cólicas aos bebés.

A mãe que mal ouve o bebe chorar lhe da colo, está a tornar o bebé numa criança mimada e mal habituada. A mãe que deixa o bebe chorar é fria e esta a tornar o seu bebé numa criança insegura.

A mãe que trabalha não gosta dos filhos. A mãe a tempo inteiro não gosta de sí.

De qualquer forma, façam o que fizerem há sempre uma crítica (destrutiva, claro!) a fazer às mães. Há sempre um familiar, uma vizinha, ou uma amiga da onça prestes a soltar algum tipo de conselho ou opinião que ninguém pediu.

A juntar a isto, nós as mães, temos uma pré-disposição genética para o sentimento de culpa. Conseguimos sentir-nos culpadas de todos os males do mundo sem ter fazer um grande esforço. Ambicionamos a perfeição, sabendo à partida que ela não existe. Mas continuamos a exigir demasiado de nós próprias, numa insatisfação crónica e permanente, acompanhada pelo sentimento de culpa de achar sempre que podíamos ter feito melhor. E se calhar podíamos. Pode-se sempre fazer melhor. E não há mal nisso.

Mas afinal, não estará cada uma de nós a dar realmente o melhor de sí, e a fazer o melhor que pode e que sabe com os recursos disponíveis e as condições que tem? Não estará na hora de parar de procurar a maternidade perfeita e cada uma de nós aceitar ser apenas uma ‘mãe suficientemente boa’?

Este conceito, da ‘mãe suficientemente boa’, apareceu no meu caminho há relativamente pouco tempo, mas acho que faz tanto sentido que repito a frase para mim mesma constantemente. Na realidade é um conceito estabelecido por Donald Winnicott, um pediatra, psiquiatra e psicanalista, que explica que uma mãe não se deve dar aos seus filhos nem a menos (por razões obvias) nem a mais. Ele defende que uma mãe perfeita seria prejudicial ao desenvolvimento da criança, pois dar-lhe-ia tudo sem que a criança pudesse ter tempo de aprender a conhecer e gerir todas as suas emoções, principalmente em termos de desejos e frustrações, emoções essas que são fundamentais para a construção do seu “Eu”. Assim o ideal é uma mãe suficientemente boa, que responde de forma equilibrada às necessidades da criança.

Agora pensem: afinal, não é isto que fazemos? Respostas equilibradas às necessidades das nossas crianças, nem aquém nem além das expectativas.

Posto isto, cara sociedade, está na altura de parar de apontar o dedo às mães só porque sim. E nós, caras mães, esta na altura de pararmos de procurar a perfeição.

Cada uma de nós é perfeita nas suas imperfeições, e cada uma de nós é a mãe perfeita para o(s) seu(s) filho(s)!”

 

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2 thoughts on “Uma mãe suficientemente boa

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