Acidentes infantis: asfixia por estrangulamento, uma dura realidade!

Há já algum tempo que queria começar a sensibilizar quem nos acompanha para o tema “acidentes domésticos”, essencialmente aqueles sobre os quais nem sempre se fala, mas que têm consequências desastrosas.  Esta semana, no “dá.me maminha“, o grupo do facebook que é administrado pela Rede Amamenta, surgiu a duvida sobre a utilização dos colares de âmbar para aliviar os desconfortos da dentição nos bebés e crianças. Este foi o meu ponto de partida para o directo que fiz hoje no grupo, que dá origem a este post: asfixia por estrangulamento em crianças.

Se muito se fala nos acidentes rodoviários, nos acidentes em piscinas etc, pouco ênfase se tem dado ao tipo de acidentes sobre os quais vos falo hoje. Vou falar essencialmente sobre os fios de cortinados e os colares de âmbar.

Segundo um estudo feito no Canadá, cerca de 40% das mortes acidentais em crianças são por asfixia por estrangulamento. Por cada criança morta estima-se que hajam cerca de 100 casos não reportados, ou seja, acidentes que foram detectados a tempo e que não deixaram quaisquer sequelas, excepto, claro, o pânico dos pais.

Nos Estados Unidos da América, morrem cerca de duas crianças por mês vitimas deste tipo de acidentes, no Brasil são cerca de quatro por mês. Infelizmente não encontrei estatisticas sobre Portugal. É importante referir que cerca de 95% destes acidentes acontecem em casa, são silenciosos e rápidos, e em muitos casos as crianças estavam na mesma divisão que o adulto cuidador.

Quando acontece um acidente de asfixia por estrangulamento a criança não consegue chamar por ajuda, são precisos poucos segundos para ficar inconsciente e em menos de um minuto ocorre a morte da criança. As crianças que sobrevivem após serem reanimadas ficam com sequelas gravissimas.

Mas quais os principais acessórios causadores deste tipo de acidentes?

O principal, está em casa de quase todos nós: os cortinados com fios. Na verdade a maior percentagem de morte por estrangulamento em crianças até aos 9 anos é com fios de cortinados. Depois temos todos os outros acessórios como os fios/colares, cordas de baloiços etc.

Os fios de cortinados são perigosissimos e deixo-vos dois videos sobre este tema, são videos com imagens impressionantes, em que este é uma reconstrução de uma situação veridica, e este é o relato de histórias reais.

Como prevenir? Dobrando e amarrando os fios a uma altura à qual a criança não consiga ter acesso, e evitando posicionar mesas ou camas perto de janelas com este tipo de acessórios.

Em 2016 a OCDE lançou uma campanha de sensibilização sobre os cortinados com fios, mas parece não ter tido o impacto desejado.

Em  relação aos colares de âmbar, e não colocando em causa os seus potenciais beneficios pois não estou dentro do assunto, os riscos são elevados, mas exactamente da mesma forma que o são para qualquer outro tipo de colares e/ou pulseiras, nomeadamente de ouro ou prata como é tão comum em Portugal. 

Em primeiro lugar parece-me necessário chamar a atenção para os colares de âmbar a baixos preços: Daniel Briez, um homem que estuda os efeitos das pedras preciosas na nossa saúde, refere que a maioria dos colares/pulseiras de âmbar para crianças são feitos a partir de restos de âmbar de má qualidade que são fundidos para depois serem transformados nas respectivas peças. Briez denomina-os “falso ambar verdadeiro” alegando que este tipo de material perde as suas propriedades medicinais.

Mas afinal, quais são os riscos lidagos a estes acessórios? Asfixia por estrangulamento e asfixia por engasgamento. No caso do colar temos três cenários possiveis:

  1. o colar ficar preso e provocar o estrangulamento da criança, ou a criança brincar com o colar e provocar esse mesmo mecanismo, como foi o caso de uma criança em 2015, que felizmente a mãe viu a tempo de evitar o pior. A mesma sorte não teve um menino de 18 meses, em Outubro de 2016, que foi encontrado morto, estrangulado com o colar, na creche durante a sesta;
  2. No caso dos colares com peças pequenas como é o caso do colar de ambar, o colar pode abrir, a criança colocar na boca e não conseguir retirar porvocando asfixia por engasgamento;
  3. O colar partir e a criança colocar uma das pequenas peças na boca, provocando asfixia por engasgamento.

Já no caso das pulseiras, sejam elas de braço ou tornozelo, os riscos são os pontos 2 e 3.

Como prevenir: se para os pais for de facto extremamente importante o uso deste tipo de acessórios, o mesmo deve ser feito sob vigilancia constante e jamais durante o sono do bebé/criança.

Não são recomendados quaisquer tipos de acessórios de joalharia em crianças pequenas. Até mesmo os fios que muitas vezes vêm na roupa, foram proibidos em roupa de criança.

Qualquer tipo de fios ou cordas pode provocar um acidente deste tipo. E estar informado é mesmo a melhor prevenção!

Amamenta France, existimos para informar!

By Cátia Godinho

 

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